INESC TEC entre os coordenadores de um novo policy paper da Comissão Europeia sobre IA e sistemas de energia

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“Unlocking the potential of AI and Generative AI in European Smart Grids - a strategic position paper and guide for action” - ou, em português – “Desbloqueando o potencial da IA e da IA generativa nas redes inteligentes europeias – um documento de posição estratégica e um guia para ação” – é este o novo policy paper da Comissão Europeia sobre Inteligência Artificial (IA) e sistemas de energia que contou com o INESC TEC, através do investigador Ricardo Bessa, como um dos coordenadores. O documento está disponível no site da União Europeia, aqui.


O documento, elaborado no âmbito da Plataforma Europeia de Tecnologia e Inovação de Redes Inteligentes para Transição Energética (ETIP SNET) - que nasceu no quadro do novo roteiro integrado da União Europeia do Plano Estratégico para as Tecnologias Energéticas (Plano SET) -, defende que a IA vai ser decisiva para garantir redes elétricas mais eficientes, resilientes e compatíveis com a transição energética europeia, desde que a sua adoção seja feita de forma responsável, segura e coordenada.

O relatório conclui que a IA já está a transformar a forma como as redes elétricas são planeadas e operadas, ao permitir previsões mais precisas de produção e consumo, a gestão de congestionamento e falhas, a manutenção preditiva de infraestruturas, uma resposta mais rápida a perturbações e uma maior eficiência e redução de custos operacionais.

“Neste documento apresentamos a IA como um componente crítico para a integração de renovável, veículos elétricos e consumidores ativos, num sistema cada vez mais descentralizado”, explica Ricardo Bessa, que lidera a investigação no domínio dos sistemas de energia no INESC TEC.

Ainda no documento é reconhecido o potencial da IA generativa para criação de dados sintéticos quando existe falta de dados reais, para apoiar decisões complexas dos operadores e melhorar a interação humano-máquina em salas de controlo.

“No entanto, um dos pontos destacados no que à IA generativa diz respeito, tem que ver com o alerta deixado sobre o uso de modelos de linguagem genéricos, e que não são adequados para infraestruturas críticas, sem que exista necessidade de uma adaptação profunda. O que é defendido no documento é o desenvolvimento de modelos de IA (e de linguagem) específicos para redes elétricas, treinados com dados do setor energético europeu”, esclarece Ricardo Bessa.

É que a aplicação de IA em infraestruturas críticas levanta uma série de desafios que vão desde ciberataques e vulnerabilidades digitais, a decisões opacas ou complexas de explicar, riscos para a privacidade e uso de dados ou escassez de competências especializadas.

Assim, no relatório destaca-se o facto de a confiança nesta área só ser garantida através de supervisão humana, transparência algorítmica, uma gestão robusta de dados e alinhamento com o AI Act Europeu.

“Mas um dos alertas de maios relevo neste documento é que a própria expansão da IA, nomeadamente no que a centros de dados ou modelos de grande escala diz respeito, está a tornar-se um desafio sistémico para o setor energético. E, por isso, no policy paper publicado defende-se que a digitalização e a política europeia devem ser planeadas em conjunto, que há uma grande necessidade de termos uma IA eficiente do ponto de vista energéticos e que os centros de dados devem integrar-se de forma inteligente nas redes elétricas”, explica o investigador.

Para além de conter uma posição estratégica sobre IA e sistemas de energia, o documento publicado pretende ser também um guia de ação e é, nesse sentido, que apresenta um roteiro estratégico com três ações concretas, uma de curto prazo, outra de médio prazo e ainda a de longo prazo.

No que ao curto prazo diz respeito, ou seja, com objetivos de implementação até dois anos, o documento defende uma clarificação regulatória, acesso a dados, projetos-piloto e capacitação de pessoas. Depois, no médio prazo, ou seja, com um horizonte temporal de 2 a 5 anos, o roteiro prevê escalar soluções testadas, harmonizar normas entre países e reforçar infraestruturas digitais. Finalmente, no longo prazo, defende-se uma integração plena da IA nas redes elétricas e liderança europeia em IA responsável para o domínio da energia.

Em março de 2026 a Comissão Europeia vai adotar um roadmap estratégico para a digitalização e a IA no setor da energia, definindo como aproveitar o potencial das tecnologias digitais e de IA para o sistema energético, mitigando simultaneamente os seus riscos.

 

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